Resenha: John Carter: Entre Dois Mundos

No ano do centenário da primeira publicação de John Carter of Mars, o personagem finalmente recebe a homenagem cinematográfica que merece.

John Carter de Marte é um personagem literário, criado por Edgar Rice Burroughs (criador de Tarzan), e principal protagonista da Série Barsoom, de 11 livros, escritos pelo autor entre 1912 e 1964 (o último volume publicado postumamente).

Resumindo, John Carter é um nativo da Virgínia, capitão do exército confederado e veterano da Guerra Civil, misteriosamente transportado para o planeta Marte (que os nativos chamam de Barsoom), onde encontra várias espécies alienígenas (os Homens Vermelhos, Homens Verdes, etc…), monstros e, é claro, muitas aventuras, e acaba casando com uma princesa de Marte, Dejah Thoris, com quem tem dois filhos, Carthoris e Tara, ambos protagonistas de suas próprias aventuras.

A série escrita por Burroughs é uma das mais famosas e conhecidas da ficção científica e de aventura da história, tendo influenciado escritores, autores de quadrinhos e cineastas no mundo inteiro, e obras que vão desde Star Wars até Avatar, e além. O personagem já apareceu em livros de outros autores, quadrinhos (uma menção especial, no início do segundo volume da Liga dos Cavalheiros Extraordinários, de Alan Moore), mas para o cinema, só foi adaptado uma vez, em 2009, num filme ruim de dar dó, merecidamente esquecido (pra ter uma ideia, Dejah Thoris é interpretada pela Tracy Lords, aquela atriz pornô que fez os primeiros filmes nos anos 80 quando ainda era menor de idade, e depois resolver virar atriz de “filmes sérios”).

O filme atual tem Taylor Kitsch (o Gambit de Wolverine: Origens) como John Carter, Lynn Collins ( a Kayla Silverfox de Wolverine: Origens) interpretando Dejah Thoris, Willian Dafoe (o Duende Verde de Homem Aranha e, francamente, uma infinidade de outros filmes), como Tars Tarkas (mesmo que irreconhecível em meio a toda a computação gráfica) e Mark Strong (o Septimus de Stardust) e Dominic West (Theron de 300) nos papéis dos vilões Matai Chang e Sab Than.

O filme abre em Marte, ou Barsoom, contando a história do conflito entre a cidade predadora Zodanga e a mais progressista Helium, onde a segunda está levando a pior devido a uma nova arma que Sab Than recebeu de figuras misteriosas e poderosas, os Therns, supostamente servos da Deusa, a principal divindade do planeta. Para salvar a cidade, o Jeddak (rei) de Helium aceita entregar a mão de sua filha, a princesa Dejah Thoris, em casamento para o vilão.

Na Terra, John Carter é um ex-capitão do exército confederado, endurecido pela perda da família durante a guerra, que vive agora à procura de uma caverna de ouro. Durante uma fuga de soldados do exército que querem recrutá-lo à força pra lutar contra os apaches, Carter acaba encontrando a tal caverna, onde enfrenta e mata um homem misterioso (um Thern, na verdade), e termina sendo transportado pra Marte.

Em Marte, Carter é muito mais forte e capaz de dar grandes saltos sem esforço, graças à baixa gravidade e sua constituição física terráquea (as primeiras cenas depois de sua chegada ao planeta são muito engraçadas, com ele pulando a cada passo), e não por causa de “alguma coisa na atmosfera”, como disse um crítico do site UOL Cinema.

Pra encurtar a história, Carter é capturado por Tars Tarkas, o nobre Jeddak dos Tharks (também chamados de Homens Verdes de Marte), encontra e salva Dejah Thoris, se envolve na guerra civil, mesmo que a contragosto, salva o dia e fica com a mocinha. Viva.

John Carter: Entre Dois Mundos é um filme de aventura, bastante fiel à obra original, uma série de romances também de aventura, com um visual deslumbrante e cenas de ação de tirar o fôlego.

 

***ALERTA DE SPOILER***

Uma cena em especial merece uma menção especial: Carter, Dejah Thoris e Sola, filha de Tars Tarkas, estão fugindo de um exército de tharks, quando nosso herói decide parar de fugir e tomar uma atitude. Ele desmonta da criatura esquisita que está cavalgando, manda Sola tirar Dejah Thoris dali, e parte pra enfrentar o exército inteiro. Sozinho. Ou melhor, acompanhado pelo que passa por um cachorro em Barsoom, o “bichinho esquisito mas fofo” do filme. É um festival de saltos assombrosos, de corpos se empilhando, quase que uma gravura de Frazetta em movimento.

Se vocês são fãs de John Carter como eu, vão adorar.

***FIM DO SPOILER***

 

 

Taylor Kitsch, como John Carter está mais próximo da imagem idealizada dos romances do que da ideia passada no filme, de um veterano de guerra cínico e embrutecido, mas mesmo assim consegue emprestar credibilidade e vigor ao personagem.

Dejah Thoris ganha uma dimensão totalmente nova no filme, ela é uma cientista e guerreira, e não apenas uma donzela em perigo, que só serve pra ser salva pelo herói. Aliás, o filme brinca com esse estereótipo, numa cena bem divertida.

Já o vilão Sab Than é absolutamente bidimensional, não passando de “saco de pancada” do herói, e os Therns não são muito melhores, pois nunca fica muito claro quais são realmente suas intenções e motivações. Mas talvez isso tenha sido intencional, pra deixar mistérios a resolver numa possível sequência.

Outro defeito do filme é uma certa irregularidade no ritmo, que se perde um pouco do meio até o final.

O final deixa totalmente em aberto a possibilidade de uma sequência, então é esperar que faça muito sucesso nas bilheterias, pra termos os outros volumes da saga de John Carter adaptados pra telona.

 

 

mal2000

Marcelo Alexandre Leite Membro da heróica geração xerox, jogador e mestre de rpg há mais de 20 anos. Membro fundador dos Metagamers, recentemente vem cogitando seriamente processar a Fox por uso indevido de imagem, no personagem Peter Griffin de Uma Família da Pesada. @MarceloALeite1

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